OBRA

O trabalho que (não) é sonho

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Sinopse

Quatro jovens artistas, que vivem no Rio de Janeiro, formam um grupo de teatro que está em processo de montagem. Para estar na sala de ensaio precisam desdobrar-se em outros trabalhos e para a manutenção do grupo precisam reinventar suas práticas.

Release

O trabalho que (não) é sonho, espetáculo do Pé de Cabra Coletivo, aposta na perspectiva crítica diante do “desmonte” da cultura, da precarização profissional e da mercantilização da arte. Remando contra a maré e valendo-se das perspectivas épico dialéticas, o trabalho aborda poeticamente os limites e a potência da representação cênica no cenário político atual.

Ficha Técnica

Elenco: Ana Karenina Riehl, Bruno Marcos, Talita Bildeman, Natalia Conti.

Músicos: Alexandre Vander Velden e Dieymes Pechincha

Dramaturgia: Bruno Marcos e Natalia Conti

Direção: Bruno Marcos

Assistência de Direção: Dieymes Pechincha Direção Musical: Alexandre Vander Velden Produção: Fernanda Martins

Técnico de Ilunimação: Ian Calvet

Direção de Arte: Uirá Clemente

Figurinos: Ana Karenina Riehl e Natalia Conti

Colaboração Dramatúrgica: Alexandre Francisco, Alexandre Vander Velden, Ana

Karenina Riehl, Ana Luiza Pradel, Dieymes Pechincha, Francisco Thiago Cavalcanti, Luiz Paulo Barreto, Pedro Alegre.

Quem assina a obra?

Bruno Marcos e Natalia Conti

Produtores

Fernanda Martins

Currículo

Através de uma residência artística no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, o Pé de Cabra Coletivo começa a pesquisa para o “O trabalho que (não) é sonho”.

O que é preciso fazer para estar na sala de ensaio? A partir desse mote e da prática da deriva no centro da cidade do Rio de Janeiro, o grupo começa a experimentar formas, imagens e fragmentos. Desdobrando esses experimentos, a dramaturgia e a direção desenvolveram a linha temática e formal da peça. Esse contorno orienta-se por uma perspectiva poética e crítica sobre as relações de trabalho do fazer artístico e a vida da cidade.

O espetáculo realiza, como parte da residência artística, suas três primeiras apresentações no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, Santa Teresa – Rio de janeiro nos dias 14, 21 e 28 de abril. No dia 18 de julho a peça integra a programação do IX Colóquio Marx Engels, realizado na Universidade Estadual de Campinas. Em setembro, na Faculdade de Letras da UFRJ, o Pé de Cabra Coletivo apresenta-se no evento Equinócio: pensar a liberdade, pensar a opressão. Em outubro O trabalho que (não) é sonho participou do Festival Estudantil de Teatro (FETO), em Belo Horizonte. Iniciando as apresentações de 2019, o espetáculo integrou a programação da Mostra de Teatro Estudantil do TUSP, em março. Durante o mês de agosto, a peça foi apresentada no Teatro Armando Gonzaga, fruto da Seleção do Edital de Ocupações dos Teatros do Estado do Rio de Janeiro. Em outubro o espetáculo foi encenado no Colégio Estadual João Alfredo, na cidade do Rio de Janeiro e também participou da 16ª Edição do Festival Nacional de Teatro de Duque de Caxias.

Repertório Músical

Os pés do mundo (Bruno Marcos e Filipe Völz)

Marinheira (Alexandre Vander Velden)

De pé (Natália Conti e Alexandre Vander Velden)

Entre os dedos (Natalia Conti e Alexandre Vander Velden)

Obituários dos teatros cariocas (Luiz Paulo Barreto e Alexandre Vander Velden)

Pequeno Palco (Natalia Conti e Alexandre Vander Velden)

Morreram Cacilda Becker (Natalia Conti e Alexandre Vander Velden)

O Velho (Natalia Conti e Alexandre Vander Velden)

Críticas e citações na imprensa

Texto a partir da apresentação do espetáculo “Trabalho que (não) é sonho” do grupo “Pé de cabra coletivo” no FETO-BH 2018.

Minutos antes de entrar para assistir “Trabalho que (não) é sonho”, dos cariocas do grupo “Pé de Cabra Coletivo”, eu acompanhava pelo celular a transmissão ao vivo de um ato no TUCA (que é o teatro da PUC) em São Paulo, ato realizado com a presença de artistas, políticos, juristas etc e os candidatos a presidência Fernando Haddad e Manuela Dávila. Assistia o exato momento em que Guilherme Boulos dizia que “se querem acabar com MTST, é muito simples: é só dar moradia para as seis milhões de pessoas que não tem teto no Brasil”. Ouvia essa fala ao mesmo tempo que eu repercutia isso no facebook, repercutia isso no whatsapp, ao mesmo tempo que conversava com as pessoas no foyer do teatro Marília aqui em BH.

Nesse momento em que estamos, todo minuto é valioso. Tá valendo ser “DDA”. Falta pouco tempo. Falta pouco tempo também para começar a peça e eu entro na sala ainda tentando ver a fala seguinte do ato, a do cientista Miguel Nicolelis. Mas não deu tempo, a peça começou.

De repente uma calma. De repente um lento. De repente pessoas falando. De repente pessoas se ouvindo. De repente uma coisa de cada vez. De repente singeleza.

De repente humanidade. De repente dignidade em cena. Uma peça totalmente desconectada da realidade. Uma oposição ao ritmo frenético da vida em wireless.

Uma peça desconectada da realidade e uma peça totalmente conectada com a realidade. Aí, pra mim, sua dialética. Nos conforta e nos provoca, como no poema de Drummond cantado no espetáculo: “um martelo sensível, martelando e doendo e descascando a casca podre da vida para mostrar o miolo da sombra, a verdade de cada

um dos mitos cênicos” Nos provoca, incomoda pois questiona qual o valor que arte (não) tem no nosso país. Qual o valor que o trabalho (não) tem no nosso país. E pior, qual o valor que o trabalhador da arte (não) tem no nosso país. É um espetáculo denúncia. Alí tem muito trabalho. Na precisão dos atores, na limpeza da gestualidade, nas palavras ditas com inteireza, nos textos, poemas. No tempo alongado do espetáculo, vi preenchimento. Na postura dos atores, não vi cansaço ou derrotismo, vi altivez, resistência. Mas entendo que isso possa soar assim também, é o risco do espetáculo.

Na música cantada, belíssimas canções, lindas, destaco o “obituário dos teatros cariocas” que é bela e ao mesmo tempo terrível. Trágica, triste, mas também é homenagem. A peça é uma homenagem à Cacilda, ao camarada Brecht, à Cia do Latão, à Roxa Luxemburgo, à Marielle. Porque é uma peça de resistência. 

Trabalho que (não) é sonho, foi um sonho bom para mim, me fez esquecer o pesadelo lá fora. Esquecimento não como alienação, esquecimento como lembrança de onde está a nossa força, a nossa beleza. Sonho que alimenta. Como o teatro deve ser. Sonho de revolução. Foi um pé de cabra na porta da minha sensibilidade. Porta essa que estava trancada, trancada por proteção. Pois lá fora o fascismo tá pé na porta. Teatro é o ensaio pra revolução? Pergunta o personagem ao final da peça, que fica sem receber a resposta. Mas a peça já respondeu com ela mesma essa questão. Saí revolucionado, esperançoso e inspirado pra luta.

Querem acabar com o MTST, todos os movimentos socias, ciência, artistas. Mas não vão conseguir. Somos semente. O Feto é semente. Estamos de pé.


Paulo Celestino.

Paulo Celestino é diretor e ator de teatro e cinema. Formado pela EAD - Escola de Arte Dramática da USP. Integrante do

Grupo XIX de Teatro de SP e da produtora de cinema Clementina Filmes

Histórico de Apresentações

Descrição da bagagem (Volumes e Pesos) e do Cenário/da Obra

2 caixotes de madeira, com objetos alocados dentro, na lateral esquerda 2 caixotes de madeira, com objetos alocados dentro, na lateral direita

2 cadeiras, 2 suporte de violão, 1 estante, para os músicos, na lateral esquerda

Descrição do Público Alvo

grupos de espectadores oriundos de escolas públicas ou particulares, ONGs, movimentos sociais, universidades, escolas e cursos de formação teatral.